Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente...
Pablo Neruda
domingo, 30 de novembro de 2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
8º Esq. Traseiras
A minha vizinha tem formas redondas e generosas. Se não fossem os braços e as pernas a atrapalhar, bem que podia rebolar.
De vez em quando lá me cruzo com a senhora no elevador. No outro dia trazia um fato de treino cinzento, felpudo , meio justo (não sei se a roupa é que era pequena, e então tem de ir às compras, ou já não há em lado nenhum loja com roupa que lhe sirva, e tem que usar a que tem, assim mesmo, colada!) ... enfim, disse-me que ia andar a pé.
...até à praia!
...não consegue ir a ginásios nem fazer dietas!
...10 minutinhos é melhor do que nada!
...e riu-se.
Despedimo-nos.
A minha vizinha foi com o passo arrastado à vidinha dela ... eu parei a minha por instantes.
" - Que esperta a senhora , hem?! Já que não consegue emagrecer o corpo que lhe pesa , vai emagrecer a consciência ... bom truque!!!"
De vez em quando lá me cruzo com a senhora no elevador. No outro dia trazia um fato de treino cinzento, felpudo , meio justo (não sei se a roupa é que era pequena, e então tem de ir às compras, ou já não há em lado nenhum loja com roupa que lhe sirva, e tem que usar a que tem, assim mesmo, colada!) ... enfim, disse-me que ia andar a pé.
...até à praia!
...não consegue ir a ginásios nem fazer dietas!
...10 minutinhos é melhor do que nada!
...e riu-se.
Despedimo-nos.
A minha vizinha foi com o passo arrastado à vidinha dela ... eu parei a minha por instantes.
" - Que esperta a senhora , hem?! Já que não consegue emagrecer o corpo que lhe pesa , vai emagrecer a consciência ... bom truque!!!"
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
São mesmo só dois dias!!!
Emília passou pla vida quase sem dar por isso... e a vida agora já não dá nada por ela!
Tem 90 anos.
Dá nomes e formas às memórias para conseguir sobreviver...
Vai fintando a tristeza das 9 às 5 num centro de dia perto de casa.
Quando chego está sentada numa cadeira tão velha como ela, encaixada no meio de outras tantas.
O centro é apertado e está cheio de gente. Cheira a sopa e a gás de cozinha que a merda do exaustor não ventila ... está frio lá dentro e há grades nas janelas... fico enjoada.
A velhinha quer falar ... eu deixo, claro!
Há saudade e solidão em cada palavra.
Pergunto-lhe o que fazia quando era nova:
"-Espalhei afectos... "
Por isso todos gostavam dela... já cá não estão para retribuir.
Arrepende-se de não ter tido filhos, diz, talvez agora o coração estivesse mais quentinho.
Conta também que embora só se tenha apaixonado uma única vez
entregou o coração a vários homens,
porque se pode amar de várias maneiras.
Emília encarquilhada e enrroscada sobre si mesma, ocupa pouco espaço... é quase bonita!
Dos tempos áureos resta-lhe o sorriso transparente e sincero e a grandeza daqueles que dão, sem pedir nada em troca.Fala com dificuldade porque o peso da idade a deixou sem fôlego...completa as frases com gestos.
Não se queixa da vida que teve, foi óptima aliás: teve um grande amor, amigos, saúde... mas garante que a velhice não tem sido meiga desde que chegou, agora é apenas uma sombra do que já foi.
Para além das doenças pouco mais tem de seu...sobraram-lhe os afectos que nunca conseguiu deixar de espalhar e um xaile de renda que lhe ofereceu uma das enfermeiras do centro, no Natal passado.
"-E é isto querida...é isto que levamos desta vida..." resume a sorrir enquanto se levanta para ir comer a sopa antes que fique fria.
...
...
porra!!! é só isto que sobra???
Tem 90 anos.
Dá nomes e formas às memórias para conseguir sobreviver...
Vai fintando a tristeza das 9 às 5 num centro de dia perto de casa.
Quando chego está sentada numa cadeira tão velha como ela, encaixada no meio de outras tantas.
O centro é apertado e está cheio de gente. Cheira a sopa e a gás de cozinha que a merda do exaustor não ventila ... está frio lá dentro e há grades nas janelas... fico enjoada.
A velhinha quer falar ... eu deixo, claro!
Há saudade e solidão em cada palavra.
Pergunto-lhe o que fazia quando era nova:
"-Espalhei afectos... "
Por isso todos gostavam dela... já cá não estão para retribuir.
Arrepende-se de não ter tido filhos, diz, talvez agora o coração estivesse mais quentinho.
Conta também que embora só se tenha apaixonado uma única vez
entregou o coração a vários homens,
porque se pode amar de várias maneiras.
Emília encarquilhada e enrroscada sobre si mesma, ocupa pouco espaço... é quase bonita!
Dos tempos áureos resta-lhe o sorriso transparente e sincero e a grandeza daqueles que dão, sem pedir nada em troca.Fala com dificuldade porque o peso da idade a deixou sem fôlego...completa as frases com gestos.
Não se queixa da vida que teve, foi óptima aliás: teve um grande amor, amigos, saúde... mas garante que a velhice não tem sido meiga desde que chegou, agora é apenas uma sombra do que já foi.
Para além das doenças pouco mais tem de seu...sobraram-lhe os afectos que nunca conseguiu deixar de espalhar e um xaile de renda que lhe ofereceu uma das enfermeiras do centro, no Natal passado.
"-E é isto querida...é isto que levamos desta vida..." resume a sorrir enquanto se levanta para ir comer a sopa antes que fique fria.
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porra!!! é só isto que sobra???
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Fazes-me Falta
" 1:O pior aconteceu-me cedo, tive sorte. Deus procura primeiro os que sofrem antes do conhecimento específico da dor, talvez porque os outros sabem demasiado para poderem ser salvos.
Tu dizias que era o contrário: que Deus nasce da ignorância própria dos sofrimentos permaturos. Mas tu, meu aluno dilecto, cedo te deixaste povoar pelo excesso do saber. Deus não sabia nada do Universo quando o criou. Imagino que se sentiria só. Imagino que num momento impreciso essa solidão se terá tornado maior do que Ele próprio, estourando numa gigantesca flor de luz. E imagino-O, depois, tentando dar um sentido particular a cada uma das pétalas dessa luz dispersa."
" 8:A tua alegria era um vírus incurável. Chamava-te Sininho porque, como a fada de Peter Pan, refilavas muito e espalhavas pó de ouro em tudo o que tocavas. Em contrapartida eras temperamental e chorosa, hiper-sensível. E tinhas uma excessiva tendência para a vingança, que acabou por se me colar à pele. Mas até aquilo a que eu mais resistia em ti se tornou carne da minha carne. Adoptei-te amores e ódios. Era teu amigo. Nunca me cansei de ti; cansei-me apenas do teu cansaço de ti mesma."
Um livro de Inês Pedrosa
Uma história contada a duas vozes ... onde ele e ela falam do irreparável e de sentimentos imortais
Tu dizias que era o contrário: que Deus nasce da ignorância própria dos sofrimentos permaturos. Mas tu, meu aluno dilecto, cedo te deixaste povoar pelo excesso do saber. Deus não sabia nada do Universo quando o criou. Imagino que se sentiria só. Imagino que num momento impreciso essa solidão se terá tornado maior do que Ele próprio, estourando numa gigantesca flor de luz. E imagino-O, depois, tentando dar um sentido particular a cada uma das pétalas dessa luz dispersa."
" 8:A tua alegria era um vírus incurável. Chamava-te Sininho porque, como a fada de Peter Pan, refilavas muito e espalhavas pó de ouro em tudo o que tocavas. Em contrapartida eras temperamental e chorosa, hiper-sensível. E tinhas uma excessiva tendência para a vingança, que acabou por se me colar à pele. Mas até aquilo a que eu mais resistia em ti se tornou carne da minha carne. Adoptei-te amores e ódios. Era teu amigo. Nunca me cansei de ti; cansei-me apenas do teu cansaço de ti mesma."
Um livro de Inês Pedrosa
Uma história contada a duas vozes ... onde ele e ela falam do irreparável e de sentimentos imortais
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Filhos e Pais...Pais e Filhos
A minha irmã tem 12 anos e esta semana está doente... uma amigdalite.
Entre os episódios de febre e aqueles em que só consegue dormir, a doença passageira cede aos efeito dos medicamentos e lá lhe dá um tempinho para se sentir melhor.
Para a entreter, como ela não consegue ver direito porque tem os olhos inchados da febre, resolvi ser eu a ler-lhe em voz alta uns capítulos do livro que ela tem na mesinha de cabeceira, "Matilde"...(obrigada Sofia):
"Matilde desejava que os pais fossem bons e carinhosos e compreensivos e honrados e inteligentes. O facto de eles não serem nenhuma destas coisas era uma coisa que ela tinha de aguentar. Mas o novo jogo que tinha inventado de castigar o pai ou o pai e a mãe, cada vez que eles fossem maus para ela, tornava-lhe a vida mais ou menos suportável."
O curioso é que antes de começar a ler isto tinha acabado de ler uma entrevista do Lobo Antunes à revista pública onde ele desabafa: " Não há nada mais terrível do que a relação de um filho com um pai ou uma mãe. É muito ambivalente. São os pais que impõem as normas. Temos tanta dificuldade em aceitar aquilo que desejamos. É muito curioso e paradoxal...o meu pai tinha imenso respeito plo doentes. Era terno, fazia-lhes festas. Foram as únicas pessoas a quem o vi fazer festas...(quando estávamos doentes) olhava da porta e mandava tomar aspirinas." Só quando o pai morreu é que ficou a saber "que ele tinha tanto orgulho em mim."
Para o bem de todos, os filhos deviam nascer com um livro de instruções ... talvez assim se pudessem evitar alguns desgostos.
Entre os episódios de febre e aqueles em que só consegue dormir, a doença passageira cede aos efeito dos medicamentos e lá lhe dá um tempinho para se sentir melhor.
Para a entreter, como ela não consegue ver direito porque tem os olhos inchados da febre, resolvi ser eu a ler-lhe em voz alta uns capítulos do livro que ela tem na mesinha de cabeceira, "Matilde"...(obrigada Sofia):
"Matilde desejava que os pais fossem bons e carinhosos e compreensivos e honrados e inteligentes. O facto de eles não serem nenhuma destas coisas era uma coisa que ela tinha de aguentar. Mas o novo jogo que tinha inventado de castigar o pai ou o pai e a mãe, cada vez que eles fossem maus para ela, tornava-lhe a vida mais ou menos suportável."
O curioso é que antes de começar a ler isto tinha acabado de ler uma entrevista do Lobo Antunes à revista pública onde ele desabafa: " Não há nada mais terrível do que a relação de um filho com um pai ou uma mãe. É muito ambivalente. São os pais que impõem as normas. Temos tanta dificuldade em aceitar aquilo que desejamos. É muito curioso e paradoxal...o meu pai tinha imenso respeito plo doentes. Era terno, fazia-lhes festas. Foram as únicas pessoas a quem o vi fazer festas...(quando estávamos doentes) olhava da porta e mandava tomar aspirinas." Só quando o pai morreu é que ficou a saber "que ele tinha tanto orgulho em mim."
Para o bem de todos, os filhos deviam nascer com um livro de instruções ... talvez assim se pudessem evitar alguns desgostos.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Adão e Eva
Apesar de ser uma previligiada naquilo que faço...há sempre coisas que não dá gozo fazer.
No outro dia fui em reportagem ao Porto Palácio. A confraria das tripas à moda do Porto deu um jantar onde convidou para orador principal o Bastonário da Ordem dos Advogados. Homem polémico, talvez tivesse algum escândalo para denunciar, por isso lá tive eu que ir ouvir o senhor (sem dar qualquer importância às tripinhas).
Pensei que me safava daquilo rápido...ouvia-o quando chegasse e ia embora...mas o referido senhor só quis falar no fim do jantar...que seca! Fiquei a pensar mal da minha vida e na chatice de esperar quase 4 horas por meia dúzia de palavras que na verdade ,quase ninguém queria ouvir....mas é quando menos esperamos, que a vida sabe ser verdadeiramente surpreendente e reveladora... é isso que eu gosto nela.
Antes do jantar um casalinho veio simpaticamente falar comigo...curiosos sobre o mundo da televisão fizeram-me algumas perguntas.
Os dois tinham um ar distinto, elegante, extremamente educados e com rugas a denunciar a idade avançada...não lhes perguntei o nome mas vou chamar a ele...Adão, a ela ...Eva.
Adão e Eva estavam numa mesa longe da minha, por isso esqueci-me deles durante o jantar, voltei a lembrar-me quando me levantei para ouvir o discurso do senhor e os vi na mesa da frente.
Adão tinha a mão esquerda por cima da mão direita da Eva e os dois ouviaram todo o discurso com a cabeça ligeiramente curvada, ela para a direita, ele para a esquerda como se quisessem encostar-se um no outro.
Pensei que a idade costumava arrefecer os sentimentos...mas naquele momento tive a plena sensação que não.
Não consegui ouvir o senhor a falar, distraí-me com tanta ternura, comovi-me com tanto amor...os dois ouviram uma hora de discurso desinteressante a fazer festinhas nas mãos enrugadas um do outro. Estão casados há 40 anos!
Tinham uma expressão carinhosa, tranquila e feliz ...com certeza não por causa do discurso!
É nestes momentos que a vida se revela, dando (ou relembrando) pequenas lições que nós não pedimos : qualquer coisa (mesmo a mais chata) se pode tornar maravilhosa quando feita ao lado de quem se gosta.
No fim Adão olhou para a Eva, Eva olhou para o Adão e os dois sorriram ... afinal, parece-me, o "paraíso" sempre existe!
No outro dia fui em reportagem ao Porto Palácio. A confraria das tripas à moda do Porto deu um jantar onde convidou para orador principal o Bastonário da Ordem dos Advogados. Homem polémico, talvez tivesse algum escândalo para denunciar, por isso lá tive eu que ir ouvir o senhor (sem dar qualquer importância às tripinhas).
Pensei que me safava daquilo rápido...ouvia-o quando chegasse e ia embora...mas o referido senhor só quis falar no fim do jantar...que seca! Fiquei a pensar mal da minha vida e na chatice de esperar quase 4 horas por meia dúzia de palavras que na verdade ,quase ninguém queria ouvir....mas é quando menos esperamos, que a vida sabe ser verdadeiramente surpreendente e reveladora... é isso que eu gosto nela.
Antes do jantar um casalinho veio simpaticamente falar comigo...curiosos sobre o mundo da televisão fizeram-me algumas perguntas.
Os dois tinham um ar distinto, elegante, extremamente educados e com rugas a denunciar a idade avançada...não lhes perguntei o nome mas vou chamar a ele...Adão, a ela ...Eva.
Adão e Eva estavam numa mesa longe da minha, por isso esqueci-me deles durante o jantar, voltei a lembrar-me quando me levantei para ouvir o discurso do senhor e os vi na mesa da frente.
Adão tinha a mão esquerda por cima da mão direita da Eva e os dois ouviaram todo o discurso com a cabeça ligeiramente curvada, ela para a direita, ele para a esquerda como se quisessem encostar-se um no outro.
Pensei que a idade costumava arrefecer os sentimentos...mas naquele momento tive a plena sensação que não.
Não consegui ouvir o senhor a falar, distraí-me com tanta ternura, comovi-me com tanto amor...os dois ouviram uma hora de discurso desinteressante a fazer festinhas nas mãos enrugadas um do outro. Estão casados há 40 anos!
Tinham uma expressão carinhosa, tranquila e feliz ...com certeza não por causa do discurso!
É nestes momentos que a vida se revela, dando (ou relembrando) pequenas lições que nós não pedimos : qualquer coisa (mesmo a mais chata) se pode tornar maravilhosa quando feita ao lado de quem se gosta.
No fim Adão olhou para a Eva, Eva olhou para o Adão e os dois sorriram ... afinal, parece-me, o "paraíso" sempre existe!
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Algumas máximas...
"... ninguém é perfeito enquanto não te apaixonas
... a vida é dura mas eu sou mais que ela!!
... as oportunidades nunca se perdem...porque aquelas que desperdiças alguém as aproveita
...quando te importas com rancores e amarguras ,a felicidade vai para outra parte
...devemos sempre dar palavras boas... porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir.
...um sorriso é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto.
...não posso escolher como me sinto...mas posso sempre fazer alguma coisa.
...todos querem viver no cimo da montanha...mas toda a felicidade está durante a subida.
... temos que gozar da viagem e não apenas pensar na chegada
...quanto menos tempo desperdiçar... mais coisas posso fazer."
... a vida é dura mas eu sou mais que ela!!
... as oportunidades nunca se perdem...porque aquelas que desperdiças alguém as aproveita
...quando te importas com rancores e amarguras ,a felicidade vai para outra parte
...devemos sempre dar palavras boas... porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir.
...um sorriso é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto.
...não posso escolher como me sinto...mas posso sempre fazer alguma coisa.
...todos querem viver no cimo da montanha...mas toda a felicidade está durante a subida.
... temos que gozar da viagem e não apenas pensar na chegada
...quanto menos tempo desperdiçar... mais coisas posso fazer."
domingo, 5 de outubro de 2008
Fui ao Mac...
Ontem fui jantar ao Mac Donalds...estava a trabalhar aqui sozinha, ainda tinha uma noitada pla frente, decidi ir apanhar frio e subir a Avenida da Boavista enquanto pensava na vida.Não gosto do frio, mas a temperatura baixa faz-me ter noção do espaço que ocupo.
Enfim...o mac está com uma nova roupagem...tem um espaço lounge, com musiquinha nada a ver... não foi a 1ªvez que vi o espaço assim remodelado, mas da outra vez estava distraída e não olhei com atenção!
Ora bem, eu sempre achei que as pessoas iam ao Mac Donalds por ser barato e ... rápido, um género de toca e foge da restauração... então porque raio é que agora a Rosa Mota dos restaurantes tem um espaço lounge? Quem é que se lembra de ir relaxar para o Mac Donalds?!?!?!?!?...
Lounge e fast food não são duas ideia diferentes?Achei piada e ri-me sozinha...
Para além disto há também umas prateleiras de acrílico, onde se pode ler a branco palavras soltas tipo "vitaminas", "estaladiço","crocantes", há também televisões plasma e balcões cheios de design... lol
no mac donalds, agora, é só "glamour".
Enfim...o mac está com uma nova roupagem...tem um espaço lounge, com musiquinha nada a ver... não foi a 1ªvez que vi o espaço assim remodelado, mas da outra vez estava distraída e não olhei com atenção!
Ora bem, eu sempre achei que as pessoas iam ao Mac Donalds por ser barato e ... rápido, um género de toca e foge da restauração... então porque raio é que agora a Rosa Mota dos restaurantes tem um espaço lounge? Quem é que se lembra de ir relaxar para o Mac Donalds?!?!?!?!?...
Lounge e fast food não são duas ideia diferentes?Achei piada e ri-me sozinha...
Para além disto há também umas prateleiras de acrílico, onde se pode ler a branco palavras soltas tipo "vitaminas", "estaladiço","crocantes", há também televisões plasma e balcões cheios de design... lol
no mac donalds, agora, é só "glamour".
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Vou estando...
Ás vezes devia ser possível coleccionar momentos felizes .... guardá-los numa lata de rebuçados! Assim de cada vez que o coração ficasse apertado podiamos ir lá buscá-los.
Desejo isso tantas vezes que, de tanto imaginar, acho que consigo sentir o sabor mesmo daquilo que não sabe a nada... invento.
Tive amores e desamores, alegrias e tristezas, encantos e desilusões, sobressaltos e surpresas... dei o melhor de mim, mostrei o pior que tinha, já bati no fundo e voltei a cima... a minha alma é um carrocel de emoções... mas FOGO!!! Viver, assim, todos os dias, cansa"
Desejo isso tantas vezes que, de tanto imaginar, acho que consigo sentir o sabor mesmo daquilo que não sabe a nada... invento.
Tive amores e desamores, alegrias e tristezas, encantos e desilusões, sobressaltos e surpresas... dei o melhor de mim, mostrei o pior que tinha, já bati no fundo e voltei a cima... a minha alma é um carrocel de emoções... mas FOGO!!! Viver, assim, todos os dias, cansa"
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Queria...
queria que olhasses para mim e me conseguisses decifrar...tal como fazes com as pautas de música...queria fazer o mesmo contigo, com a mesma facilidade com que descubro alguns segredos escondidos...
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
O António de Caxias
António tem 45 anos...parece 60.
Tem a pele tostada e seca e enrudilhada e áspera por 35 anos de pesca em alto mar...35!!!O cabelo desalinhado disfarça a cicatriz da testa e o corpo demasiado magro deixa-o quase sem postura...está irrequieto, fala depressa e come as palavras, talvez porque não as sabe dizer...António termina todas as frases com um quase meigo "tás a ver, nina?"
A família, sem dinheiro, pôs os 6 putos da casa a trabalhar quando chegaram, cada um na sua vez, aos 10...fizeram-se homens, e à vida, muito antes do tempo.
Uma vida de que tem medo mas que é a única que conhece e que lhe sustenta os vícios caros...
já sobreviveu a uma tuberculose, algumas pneumonias...e três naufrágios...o último em Espanha, o pior de todos, diz. Em meia hora ficou apenas com a roupa do corpo a boiar nos mares da Corunha, entregue ao maior dos medos do homem...pensou que ia morrer...pensou, mas foi "SALVO."
Enquanto olho para o António, que treme enquanto lhe faço perguntas, que não larga o cigarro que já lhe deixou o indicador completamente amarelo, que não tem brilho nos olhos porque talvez já não tenha alma ... faço um esforço para me concentrar naquilo a que me responde sobre o naufrágio, porque não consigo deixar de imaginar que no fundo daquele coração já gasto e com poucas alegrias... talvez ele desejasse nunca ter sido salvo...
Tem a pele tostada e seca e enrudilhada e áspera por 35 anos de pesca em alto mar...35!!!O cabelo desalinhado disfarça a cicatriz da testa e o corpo demasiado magro deixa-o quase sem postura...está irrequieto, fala depressa e come as palavras, talvez porque não as sabe dizer...António termina todas as frases com um quase meigo "tás a ver, nina?"
A família, sem dinheiro, pôs os 6 putos da casa a trabalhar quando chegaram, cada um na sua vez, aos 10...fizeram-se homens, e à vida, muito antes do tempo.
Uma vida de que tem medo mas que é a única que conhece e que lhe sustenta os vícios caros...
já sobreviveu a uma tuberculose, algumas pneumonias...e três naufrágios...o último em Espanha, o pior de todos, diz. Em meia hora ficou apenas com a roupa do corpo a boiar nos mares da Corunha, entregue ao maior dos medos do homem...pensou que ia morrer...pensou, mas foi "SALVO."
Enquanto olho para o António, que treme enquanto lhe faço perguntas, que não larga o cigarro que já lhe deixou o indicador completamente amarelo, que não tem brilho nos olhos porque talvez já não tenha alma ... faço um esforço para me concentrar naquilo a que me responde sobre o naufrágio, porque não consigo deixar de imaginar que no fundo daquele coração já gasto e com poucas alegrias... talvez ele desejasse nunca ter sido salvo...
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
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